
No fechamento da quarta semana de festival, o palco foi do experimentalismo. Para abrir a noite, o Binário, carregado de uma forte personalidade, fez um set um pouco diferente do que costuma fazer: sai a praia/dia, entra a casa de show/noite. Com isso, as criativas projeções feitas artesanalmente ganham espaço e criam uma atmosfera íntima e condizente com o som da banda. Parecia que eles estavam tocando na sala de casa. O palco bem escuro, iluminado toscamente por duas pequenas caixas de isopor, era um convite ao psicodelismo e ao universo das jam sessions. O clima só foi "quebrado" por um nobre motivo: o Multishow tinha que ligar um pouco as luzes para gravar 3 músicas para o especial, nada grave.
Duas baterias, muitos efeitos e distorção. Os músicos que compõem a banda levaram a platéia na mão durante quase uma hora de show. No repertório, músicas do cd independente lançado junto com o (histórico) DVD "Árvore", que rapidamente esgotou da banquinha do Lariú. "Nem Ofensa Nem Prêmio", a segunda música do show, era cantada por algumas pessoas da platéia. "Amor Líquido", "Raça" e "Tatu" foram outros destaques e agradaram áqueles que ainda não conheciam a banda e foram só pela curiosidade. Não saíram decepcionados.
Chegando perto do fim, Lucas (guitarrista e vocalista) fez o momento merchandising: jogou camisetas para a platéia, falou do DVD e LP lançado pelo selo FarOut, de Londres, e conversou intimamente com o público, apesar de uma certa timidez. Tarefa cumprida, só restou ao Binário agradecer á platéia e á produção, molhados de suor e com a felicidade estampada no rosto.

O Artificial, mais um projeto de Kassin, rapidamente entrou no palco com sua parafernália. Acompanhado de seu fiel escudeiro Berna Ceppas, Kassim usou e abusou de ruídos eletrônicos aliados a cantorias no microfone. Em algumas vezes, usava o jogo portátil Game Boy para incrementar determinada música.
Apesar de usar deste artifício, o telão não mostrava os tradicionais joguinhos utilizados pelo Artificial em outras apresentações. Em seu lugar foram exibidas imagens que mesclavam desde filmes B até imagens caseiras de Kassin no Japão fazendo caras e bocas e m uma performance inusitada e hilária, com direito a óculos escuros de gatinha e agradecimentos em inglês "thank you" com voz fina. A s reações da platéia variavam da empolgação total ao choque.
Breakbeats, big beats ou batidão: Kassin atingiu o seu objetivo. Destaque para a já conhecida "Free USA", além de "Joy" e "Time To Change". Qual será o seu próximo projeto?
*Colaborou Dominique Valansi
Paulo em 29 de janeiro de 2006
MUITO BOM! PARABÉNS PELO SHOW ANTOLÓGICO! UMA VERVE NO PALCO COMO NÃO SE MUITA HÁ MUITO. DIA 11/02 TEM MAIS BINARIO NO PARQUE LAGE.