Quando o Bruno Levinson me ligou pedindo um texto que narrasse uma noite inenarrável - a do Liô -, decidi me desprender por completo dos moldes jornalísticos. Jamais poderia escrever dentro das cntp dos manuais de redação e estilo sobre aquela que foi uma noite fora de qualquer padrão, atípica, única. Portanto, você não encontrará aqui um review fidedigno da edição do HPP, mas palavras contaminadas da emoção de quem ajudou a organizar, para um amigo querido, uma festa surpresa onde tudo deu especialmente certo.
A idéia para o evento foi um desdobramento óbvio de um pensamento coletivo: homenagear o Liô. Meu telefonema para o Bruno foi apenas um impulso motivado por um grito de saudade que não cabia mais em mim. Queriam gritar comigo a produtora Mirella Gomes e a baixista Eliza Schinner, que, em conversa com o baterista Rafael Miranda (Rapreto), também pensaram em fazer alguma coisa. Coladinha ao aniversário do Liô, cinco de fevereiro, a data proposta pelo Bruno era ideal e foi festejada por Marcello Rheiz (produtor do Som da Rua), que em cerca de meia hora de bate-papo emocionado ficou de confirmar com os “meninos” da banda a participação. Nunca vou me esquecer da voz apreensiva de Fabrizio, ao telefone, em pleno 31 de dezembro, um pouco receoso em tocar a idéia adiante. Se de um lado o evento tinha tudo para ser um sucesso, de outro qualquer detalhe impensado poderia trazer o efeito inverso ao proposto por uma homenagem e ocasionar uma tremenda lambança. A iniciativa era bela, porém minuciosamente delicada.
Som da Rua de acordo, nos reunimos no Belmonte para rascunhar as atrações da noite e definir os próximos passos. Uma lista enorme com nomes e mais nomes foi sendo desenhada. Tarefa árdua reduzi-la aos dezessete convidados que ocuparam o palco do Sérgio Porto. Aos poucos fomos telefonando, ali mesmo, para todo mundo. A cada um coube uma missão. Eu fiquei de conseguir algumas parcerias, como o estúdio Atemporal, que cedeu o espaço gentilmente para os nossos ensaios, e a gráfica de um amigo que sequer conhecia o Liô, mas que só em ouvir como o cara era um aglomerador de bons adjetivos concordou prontamente em imprimir nossas filipetas. Você não faz idéia do quanto as pessoas foram se envolvendo com a causa e se preenchendo de alegria em participar! Pensando bem. Faz sim. Nada mais natural. Quem não editaria com carinho uma seqüência de imagens tão doces como o material bruto que passou pelas mãos de Rogério Gomes e Carol Montagna? Ver o sorriso do Liô estampado naquele telão e lembrar de quantos momentos alegres ele nos proporcionou nos serviu de combustível para ir adiante e superar qualquer perrengue, como conseguir conciliar os horários de todos os músicos escalados (ave maria!!!) e passar duas horas ilhada em Jacarepaguá debaixo de forte chuva para buscar as filipetas.
Valeu a pena. Faríamos tudo de novo. Só para ver no palco um emocionado Emílio, do Patuvê!, arrancando da platéia um minuto de aplausos, gritos e toda sorte de barulho ao lado do ramirez Thiago Pedalino e de todos os integrantes da “Banda 1”, cotada por João Rodrigo, em brincadeira nos bastidores, como passível de surrupiar o contrato do SDR na Deckdisc. Ou, ainda, a performance eletrizante de Arthur Nabeth, acompanhado dos detonautas Netinho e Tchello, envolvidíssimos, como todos da “Banda 2”, visivelmente emocionados. Ou, até mesmo, o saltitante Arnaldo Brandão, não muito à vontade na métrica nos ensaios, mas dando conta do recado no show. Até Fernandinha Marques, do Columbia, tão pequerrucha em sua embalagem petit, tomou proporções atlânticas no palco, ao dedicar, compenetrada e sincera, a muito bem entoada canção “Ninguém Aqui” para Karen, namorada de Liô. Arrepiei. E chorei. Muito. Ao ver o abraço envolvente do Som da Rua no palco. Ao assistir ao entrosamento do Marcelo Rezende com a banda, repetindo o feito da repentina primeira homenagem no Odisséia. Ao sentir todos nós reunidos, em êxtase, quase que não acreditando em uma noite tão mágica. Um Sérgio Porto apinhado de emoção. E uma alegria sem tamanho ao ouvir de Dona Eliane, mãe do Liô, a nossa maior recompensa: “Obrigada, foi a festa de aniversário mais linda que meu filho já teve”.
Somos nós que agradecemos, Dona Eliane.
Andréa Thompson
- Clique aqui para ver uma Galeria de Fotos enviadas pelo Público.
Eliane Mariz em 08 de fevereiro de 2006
Mais uma vez gostaria de agradecer esta festa maravilhosa que fizeram para o Liô. Tenho certeza que ele estava lá conosco e que ficou muito feliz com a homenagem.
Beijos a todos que trabalharam para que fosse tudo tão bonito.
Eliane Mariz
Maira em 07 de fevereiro de 2006
Provou que não é necessário seguir os moldes jornalisticos para descrever o que foi uma das noites mais emocionantes que ja tive(mesmo sem conhecer o Liô).Texto maravilhoso escrito por uma amiga que com certeza conseguiu traduzir,com todas as palvras,o que foi aquela noite no Sérgio Porto.
Sem duvida alguma foi uma noite emocionante.
Bj,
Maira.
Fátima em 07 de fevereiro de 2006
Seu texto emociona até quem, como eu, que não conhecia o Liô. Foi escrito com o coração de uma amiga, que está contraído pela dor da saudade.
Parabéns por essa homenagem tão profunda e forte!
Beijos,
Fátima.
Mike em 07 de fevereiro de 2006
ehhe
então, Andréia, quer dizer q agora eu me chamo Netinho, é?
;-)
foi sem dúvida uma noite emocionante, pra jamais ser esquecida.
good vibes pro nosso liô!
Mike Vlcek
Julia Crosman em 07 de fevereiro de 2006
Maravilhoso o texto!!! Homenagear uma pessoa assim tão querida é tarefa difícil, mas seu texto, fez bem mais do que isso. Emocionou até mesmo quem nunca teve o prazer de conhecer o Liô.
Parabéns!
Um grande beijo,
Julia Crosman